quinta-feira, agosto 26

Especial Eleições 2010: Saindo do armário e opinando nas urnas

Tramitam no congresso três Projetos de Lei à favor da causa homossexual; a Associação LGBT promove campanha em apoio à aprovação

Você gosta de andar de mãos dadas na rua com o seu namorado ou namorada? Beijar, abraçar em lugares públicos? Pensa em casar e ter uma união estável? Provavelmente sim. Mas, você sabia que pessoas iguais a você, também jovens, que frequentam universidades, bares, baladas, em muitas regiões do país não podem fazer isso simplesmente porque sua orientação sexual não é a convencional na sociedade?

Atenta às eleições deste ano, a organização da Parada LGBT de São Paulo resolveu abrir os olhos da sociedade para o voto consciente e alertar sobre seus direitos. Sabendo que a mudança nas ruas só vem através de atitude diante das urnas, o tema da 14ª edição do evento, realizado em 6 de junho, em 2010 ganhou um caráter cívico: “Vote contra a homofobia. Defenda a cidadania”. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) lançou uma campanha com o mesmo slogan e promete que divulgará uma lista de concorrentes que se comprometeram ou que tenham um histórico de defesa com a causa homossexual.

“Queremos candidatos que estejam fora do armário nas defesas dos nossos direitos”, afirmou o presidente da ABGLT, Toni Reis, em entrevista para o EstudanteNet. Segundo estimativa oficial, os homossexuais representam 10% de toda a população brasileira, deixando claro que eles tem sim um peso significativo no processo eleitoral.

A entidade que agrega mais de 203 ONGs propaga a importância de escolher candidatos que respeitem a livre orientação sexual e dêem uma atenção especial para os projetos de leis ainda em tramitação. “As demandas do movimento LGBT são importantes e tem enfrentado grandes resistências com a bancada religiosa fundamentalista do Congresso. Nesse sentido, a eleição de candidatos que tenham coragem de assumir a nossa pauta é fundamental, queremos um estado laico e a diversidade religiosa”, explica Reis.

Mão na consciência
Na busca de uma sociedade igualitária, uma dúvida paira no ar. O eleitor do movimento está mais consciente sobre seus direitos e o valor do seu voto? Para o fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB) e decano do Movimento Homossexual Brasileiro, Luiz Mott, ainda existe uma alienação do eleitorado LGBT. “Nas ultimas eleições para a Câmara Municipal de Salvador, uma lésbica e um gay com excelente histórico de militância e muito conhecidos na comunidade LGBT não conseguiram eleger-se, enquanto uma transexual dançarina de um grupo de pagode, reconhecidamente incompetente para exercer mandato político, foi eleita com grande votação”, reflete Mott sobre a importância do voto não estar relacionado apenas com o fato do candidato ser homossexual.

“A grandessíssima maioria se mantém afastada do debate, engolindo tudo o que a mídia lhe vomita. O eleitor LGBT ainda não percebe que as vantagens que ele vem recebendo foram resultado de muita luta e que precisamos continuar lutando para que elas se intensifiquem e não retrocedam”, acredita o diretor da Escola Jovem LGBT, a primeira escola gay do país, e fundador do Grupo E-Jovem, Deco Ribeiro. A Escola Jovem LGBT é um projeto de expressão cultural multimídia que se divide em três áreas: Expressão Artística Expressão Cênica e Expressão Gráfica. O principal objetivo da escola é oferecer ao jovem todas as ferramentas para que ele possa se expressar, conhecer a cultura LGBT e produzir sua própria cultura.

Para ambos, a questão da conscientização democrática tem de ser trabalhada. O GGB tem realizado, há mais de 20 anos, mobilizações a favor dos direitos humanos e da cidadania da população LGBT. Embora ele seja um grupo sem filiação partidária, sempre se manifestaram, indicando aqueles candidatos que se comprometeram com as pautas da causa.

O mesmo tem feito o grupo E-Jovem, fundado em 2001 na cidade de Campinas, que publicou uma carta-compromisso com o título Por um amanhecer mais colorido que será apresentada os candidatos para que eles assumam publicamente o apoio. O documento contém solicitações do grupo para questões como os direitos de filhos de casais homossexuais, apoio a programas sobre Saúde e Prevenção de DST/AIDS nas escolas e a criação e o funcionamento de Conselhos e Planos LGBT.

A cada dia surgem mais iniciativas para melhorar o poder da escolha. Aproveitando o gancho destas eleições, onde a internet é o veículo direto com o eleitor, a revista A Capa, está exibindo em sua versão online, debates eleitorais com candidatos que apóiam o movimento LGBT. Apresentado pelo jornalista Marcelo Hailer, o programa entrevista candidatos que contam sobre suas trajetórias e apresentam suas propostas para o movimento.

Fonte: EstudanteNet.
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